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› Memorial Djanira

Apenas um nome de muitas cores: DJANIRA

Citada entre as maiores damas da pintura brasileira do século vinte - ao lado de Tarsila do Amaral e Anita Malfatti - a mais importante artista avareense de todos os tempos assinava suas telas simplesmente como Djanira.
Ao longo de sua vida agitada, teve Djanira três sobrenomes diferentes. Não se apegou a nenhum deles, porém. Preferia grafar em suas obras somente o nome de batismo, hoje sinônimo da arte genuína que soube intuitiva e genialmente plasmar em cores da cena brasileira.
Nascida num pitoresco sobrado da Rua Piauí, na vizinhança do 1º Grupo Escolar de Avaré, nele moravam seus avôs maternos, Elisabeth Pliger e Luiz de Job, de origem austríaca. Era 20 de junho de 1914. A menina recebe no cartório o nome completo de Djanira Job Paiva. Aliás, na sua certidão de nascimento, figura como testemunha o inesquecível imigrante sírio Mamud Sacre.
Djanira, contudo, vive bem pouco tempo na casa dos Job. Levada pelos pais, Maria Pia e Oscar Paiva, passa alguns anos em Porto União, na fronteira de Santa Catarina com o Paraná, e depois – com a separação do casal – é adotada por uma família humilde. Volta a Avaré em 1928, trazida pela avó Elisabeth para viver uma marcante experiência na roça, plantando e colhendo café nas terras da fazenda São José do Letreiro, hoje município de Arandu.
Determinada, a adolescente segue para São Paulo e mora num quarto alugado na avenida São João, em São Paulo, onde nem sempre havia o que comer depois de um dia de trabalho como costureira. Em 1932, na Revolução Constitucionalista, remenda a farda dos soldados. Em passeio no litoral, apaixona-se pelo marinheiro Bartolomeu Gomes Pinheiro. Casa-se e dele adota o segundo dos seus sobrenomes. Logo depois adoece gravemente e é desenganada pelos médicos. Salva-se da tuberculose quando reproduz desenho da figura de Cristo, copiada da parede do sanatório. Descobre-se artista plástica.
Para curar-se dos males do pulmão, vai para o Rio de Janeiro e se fixa no morro de Santa Teresa. Naquele panorâmico ambiente carioca, ela projeta a sua arte cabocla para o mundo. Torna-se dona de pensão, mas ali conhece artistas e boêmios da época, como Emeric Marcier, com quem aprende a temperar tintas. Nas horas vagas, faz desenhos e gravuras.
A morte prematura do marido dilata-lhe o caminho para a arte. Em 1941, promove a sua primeira mostra individual. Três anos depois, viaja aos Estados Unidos. Padece e enfrenta dissabores, mas, paulatinamente, os verdes, os azuis, os rosas e os marrons da paisagem brasileira despontam em suas telas. Ela então consegue revelar o seu talento e volta reconhecida da América. É acolhida em sua terra, onde ganha a admiração de Jorge Amado, Dorival Caymmi e Manuel Bandeira.
Casa-se novamente em 1952 com o psicanalista baiano José Shaw da Motta e Silva, de quem recebe o último dos sobrenomes que usou em vida. Incentivada pelo companheiro, faz viagens pelo país para tecer a sua obra segundo as matizes tupiniquins.
“Pintar e viajar são os verbos do meu destino”, costumava repetir em singela visão poética. Nessa trajetória pintou as bananeiras, as casas de farinha, as plantações, as quitandas, as fachadas coloniais, as imagens religiosas e profanas do povo brasileiro. Sua pintura se aproximou da linguagem dos artistas ingênuos ou ditos primitivos, muito embora fosse, de fato, uma sábia elaboração de tudo o que aprendera.
Com obras espalhadas pelo mundo, a pintora avareense - primeira da América Latina a ter um quadro a integrar o acervo do Museu do Vaticano - visitava com freqüência a sua terra natal. Vinha para ver a tia Elda, irmã de sua mãe, além de primos que ainda moram por aqui. Certa vez pensou em ter uma casa de veraneio na cidade. Noutra ocasião, se dispôs a pintar a Capela de Santo Antônio, no Largo Santa Cruz, mas seu projeto fica sem apoio oficial. Perdemos assim o que seria, sem dúvida, uma grande atração do nosso turismo cultural.
Nos seus últimos anos de vida, Djanira transformou seu apartamento no Rio em pequeno museu povoado de imagens de santos e de anjos. Porque ela vivia à procura de Deus. Tornou-se membro da Ordem Terceira Carmelita, adotando o nome de Irmã Teresa do Divino Amor. Quando morreu, há exatos 30 anos, foi sepultada com o hábito religioso.
Aos poucos, Avaré está a redescobrir os traços do universo multicolorido da grande artista. Já temos um Centro Cultural com o nome dela e um Memorial está sendo composto. São conquistas ainda modestas, é verdade, mas o importante é verificar que o avareense já se identifica com a sua notável conterrânea e consegue ver nas suas telas os reflexos da cultura nacional.
Tudo porque a nossa pintora amava o Brasil como poucos. E por meio do seu pincel fez uma declaração de amor ao país, abreviada na simplicidade de seu primeiro nome: Djanira...


Centro Avareense de Integração Cultural (CAIC)
Rua Minas Gerais, 279 – Água Branca
Tel: (14) 3732-5057 / 3733-6004
Horário de atendimento: Segunda a sexta-feira, das 8h às 17h30 e aos sábados das 9h às 13h.

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• Biógrafo da artista, Gesiel Júnior é autor dos livros “História de Djanira, brasileira de Avaré” (Editora Arcádia, 2001), “Contando a Arte de Djanira” (Noovha América Editora, 2004) e "Djanira para conhecer e colorir" (Editora Gril, 2014).

 
 
 

 

TELEFONE PARA CONTATO:
(14) 3711-2500
Praça Juca Novaes, 1169 Avaré 18705-900
Atendimento de segunda a sexta, das 8h às 17h.
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